Informações Gerais
A Cadeia do Espinhaço é um acidente geográfico formado predominantemente por rochas quartzíticas, que se estende da macrorregião sul de Belo Horizonte, até próximo ao limite norte da Bahia com Pernambuco. Apresenta um relevo acidentado, com altitudes geralmente superiores a 1.000m, sendo o Pico do Sol (2.072m) na Serra do Caraça e o Pico do Itambé (2.052m), na região de Serro-MG, suas maiores altitudes. Devido às características climáticas, geológicas e ao seu isolamento, apresenta um elevado grau de endemismo para a fauna e, em especial, para a flora, abrigando em suas belas paisagens rupestres, diversas espécies raras e ameaçadas de extinção.
A Cadeia do Espinhaço encantou viajantes e naturalistas, dentre eles o Barão de Eschwege (que a denominou), von Martius, Peter Lund, Barão de Langsdorff, Auguste de Saint-Hilaire, entre outros que perambularam por suas serras. Abriga ainda uma enorme riqueza histórica e cultural, especialmente no que diz respeito aos ciclos do ouro e diamante, concentrada, principalmente, em cidades históricas como Ouro Preto, Mariana, Serro e Diamantina, sem desmerecer outras tantas ao longo do caminho.
A diretriz de traçado da TESP foi subdividida em seis Setores, de acordo com afinidades regionais. Cada Setor, por sua vez, é subdividido em Trechos, normalmente caracterizados por trilhas que ligam dois locais de referência (povoados, marcos geográficos ou áreas protegidas) ou que atravessam uma determinada unidade de conservação. Os Setores definidos até o momento são os seguintes:
- Conexão BH: abrange trechos da Serra do Curral e da Serra da Piedade, entre a capital mineira e Caeté, na região do Quadrilátero Ferrífero;
- Setor 1, Ouro Branco – Nova União: abrange as serras do Quadrilátero Ferrífero entre os municípios de Ouro Branco e Nova União, até a Fazenda Germana, no limite Sul do PARNA da Serra do Cipó;
- Setor 2, Serra do Cipó - Paraúna: abrange os trechos compreendidos pela APA Morro da Pedreira / PARNA da Serra do Cipó, PE da Serra do Intendente, até o Rio Paraúna, próximo à localidade conhecida como Cemitério do Peixe;
- Setor 3, Diamantina – Sempre Vivas: compreende a macrorregião de Diamantina, do Rio Paraúna, passando por Barão de Guaicuí, Milho Verde, Parque Estadual do Itambé, Parque Estadual do Rio Preto, Parque Estadual do Biribiri, até o limite norte do Parque Nacional das Sempre Vivas;
- Setor 4, Olhos D’Água – Grão Mogol: compreende as regiões abrangidas pelos municípios de Olhos D’Água, Itacarambi, Parque Estadual de Botumirim e Grão Mogol;
- Setor 5, Grão Mogol - Espinosa: compreende as regiões abrangidas pelos Parques Estaduais de Grão Mogol e de Serra Nova e Talhado, até o município de Espinosa.
Histórico
Primeiras Incursões:
O Barão de Eschwege caracterizou e denominou a Cadeia do Espinhaço em 1822. Mas dentre os viajantes e naturalistas que perambularam pelo Brasil afora nos séculos XVIII e XIX, o francês Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) foi o que mais explorou a então província de Minas Gerais, percorrida de norte a sul e de leste a oeste, com uma afeição singular ao povo mineiro, considerado por ele como o mais cordial e hospitaleiro do país. Ao longo de sua viagem ao Brasil, realizada entre os anos de 1816 e 1822, Saint-Hilaire visitou o Distrito Diamantino e galgou os cumes da Serra do Espinhaço. Povos indígenas, bandeirantes e outros viajantes podem ter percorrido roteiros semelhantes, mas nenhum deixou registros tão marcantes da região que abriga a Trilha Transespinhaço, quanto Saint-Hilaire.
Uma Grande Trilha ao Longo da Cadeia do Espinhaço:
A ideia de uma trilha ao longo da Cadeia do Espinhaço não é nova. O saudoso montanhista Sérgio Beck já falava na grande trilha que cruzaria a Serra da Mantiqueira e a do Espinhaço, interligando todas as trilhas existentes, nos anos 1970-1980.
Em 02 de setembro de 2006, uma expedição formada por montanhistas e pesquisadores mineiros, partiu de Ouro Preto - MG com destino à cidade de Diamantina - MG, com o objetivo de estabelecer a maior travessia a pé sobre montanhas do Brasil, realizar levantamento preliminar da biodiversidade dos topos de montanha do Espinhaço e registrar a fauna, a flora, as paisagens e as pessoas encontradas nos caminhos percorridos pela Expedição.
Após 22 dias e 416 km percorridos a pé, a expedição motivou, em 02 de setembro de 2007, a criação da Associação Montanhas do Espinhaço, uma organização civil de direito privado, de base voluntária e caráter socioambiental, sem fins lucrativos, que possuía como objetivo a conservação dos ambientes de montanha ao longo da Cadeia do Espinhaço, a partir da aproximação do homem com a natureza. Embora não concretizado, um de seus projetos foi a Grande Trilha do Espinhaço.
A Organização do Movimento Transespinhaço:
Alguns meses antes da criação do Movimento Trilha Transmantiqueira, o montanhista e ex-chefe do PARNA do Itatiaia, Luiz Aragão, realizou, no mês de agosto de 2017, uma caminhada de 170 km na Cadeia do Espinhaço, do povoado de Cemitério do Peixe, até a vila Serra dos Alves, aonde chegou depois de 10 dias.
Encantado com as belezas do Espinhaço, fez contato com alguns montanhistas de Minas Gerais para discutir as possibilidades de criação de uma trilha Transespinhaço. Em 16 de março de 2018, enviou uma mensagem eletrônica para diversos montanhistas, chefes de unidades de conservação, guias de montanhismo, Centro Excursionista Mineiro (CEM), Federação de Montanhismo e Escalada do Estado de Minas Gerais (FEMEMG), entre outros, que resultou na criação de um grupo de interessados no WhatsApp.
Nesse meio tempo, Aragão conseguiu a adesão de Giselle Saraiva de Melo, então presidente do CEM e da FEMEMG, que, junto com ele, assumiu as rédeas na organização do recém-criado
Movimento Trilha Transespinhaço:
No dia 16/06/18 foi realizado o “1o Seminário da Trilha Transespinhaço, a Trilha de Longo Curso Mineira”. Na pauta, além da apresentação da proposta de criação da TLC Transespinhaço, a apresentação do Sistema Brasileiro de Trilhas de Longo Curso, feita por Pedro da Cunha e Menezes, também um incentivador e apoiador do Projeto. O evento foi o pontapé inicial para a abertura dos trabalhos de implantação da trilha de longo curso e contou com 57 participantes, entre representantes do setor público das esferas federal, estadual e municipal, terceiro setor, iniciativa privada e montanhistas.
Após a realização do Primeiro Seminário em Belo Horizonte, foram realizados novos eventos no âmbito dos Grupos de Trabalho (GT) estabelecidos, voltados para o planejamento das atividades, refinamento do traçado, realização de oficinas de sinalização e sinalização em trechos da trilha previamente mapeados.